6 de out. de 2013

O pedido

É madrugada. E em meio ao canto de um grilo que deve está escondido em algum lugar, reflito sobre um pequeno grande gesto ao final da última noite.
Estava sob o jugo das necessidades vitais alimentícias, quando decidi sair para jantar. Chegando à lanchonete, fiquei na dúvida se escolhia entre macarronada ou um prato com arroz, toscana, salada e farofa. Fiquei com a segunda opção. 
O intervalo entre a escolha e a chegada do pedido parece um purgatório estomacal, onde os sentidos se tornam mais aguçados, especialmente o olfato, como se fosse um instigador da fome. Após algum tempo, chega o pedido. Comecei a comê-lo. No momento soprava uma brisa suave, o suficiente para amenizar o calor do prato pedido. (Havia a opção de ficar num espaço interno na lanchonete, mas preferi o externo. O céu estava lindo.) 
Em meio às garfadas que saciavam a fome do corpo, aos pensamentos que divagavam através do olhar indefinido, fui suavemente surpreendido pela capacidade humana de ouvir o que as palavras não dizem. Duas amigas se aproximaram (ambas já haviam jantado noutra lanchonete e estavam degustando um apetitoso sorvete ) e as primeiras palavras que ouço soam a canção: viemos te fazer companhia. Sei que alguns leitores podem está neste momento dando asas ao deus da mitologia grega Eros, dentro de seus pensamentos, mas naquele instante, o que ficou evidente, foi a sensibilidade de dar asas ao que temos de mais rico entre as relações humanas: a amizade. 
A partir daquele instante não estava mais sozinho. O pedido já havia conquistado sua finalidade de mortificar por algumas horas a necessidade de alimentação e as companhias, mediante uma agradabilíssima conversa, haviam me transmitido mais uma lição naquele simples gesto fraternal: quando se tem amigos, nunca se está só.   

26 de set. de 2013

A Sílaba

Impressionante como as palavras são capazes de provocar as mais diversas reações quando perpassadas pelos nossos ouvidos ou quando desvelada pelos ventos da leitura. E o que dizer de algumas sílabas que soam como um trovão em dias de chuvas fortes, mas que enamoradas a outras são capazes de suavizar até os mais sólidos concretos . Uma delas é a "CU". 
Apenas a título de poucos exemplos, veríamos que sem "CU" não haveria o "CUSTUME"; sem "CU" não haveria o CURSO; sem "CU" não teríamos a CULTURA... Mas se observarmos bem, "CUSTUME" não começa com "CU", mas com "CO", o que significa dizer que em muitos casos e acasos, temos a não tão velha mania de colocar a dita sílaba onde não devia. Nada de outro planeta. Afinal, a língua é viva, e mais vivo ainda é o contexto que é capaz de explicitar os mais belos significados daquilo que para muitos pode ser apenas um "CU". E nós, pobres seres mortais que habitamos a pluralidade do contexto, temos muito a aprender com as pequenas sílabas, que em separadas podem até formar uma palavra, mas que com a força de suas junções são capazes de formatar as mais belas e lindas frases. Que as sílabas embalem nosso viver para além de um simples "CU". 

O simples não é tão óbvio


Hoje numa conversa informal sobre religiões me perguntaram se eu não era "muito religioso". Imediatamente me veio algo à mente. Fiquei pensando no silêncio da natureza emanado no espaço celestial pelo brilho das estrelas, que apesar não emitir uma palavra no sentido convencional, basta alguns segundos para "ouvirmos" os significados múltiplos da simplicidade em sua infinita dimensão. Mas para vermos o simples, é necessário ser simples. Às vezes o simples não é tão óbvio.

Cristãomidor



Sob o pretexto de emancipação ideológica de determinadas correntes religiosas, algumas igrejas não deveriam fazer de Jesus um Banco. A gratuidade está na essência das coisas Divinas. O lucro financeiro é uma coisa, a Graça é outra. Em alguns lugares a "boa fé" de muitos está sendo explorada pela "má fé" de poucos. Assim sendo, deveria haver o CDC - Código de Defesa do "Cristãomidor".