6 de out. de 2013

O pedido

É madrugada. E em meio ao canto de um grilo que deve está escondido em algum lugar, reflito sobre um pequeno grande gesto ao final da última noite.
Estava sob o jugo das necessidades vitais alimentícias, quando decidi sair para jantar. Chegando à lanchonete, fiquei na dúvida se escolhia entre macarronada ou um prato com arroz, toscana, salada e farofa. Fiquei com a segunda opção. 
O intervalo entre a escolha e a chegada do pedido parece um purgatório estomacal, onde os sentidos se tornam mais aguçados, especialmente o olfato, como se fosse um instigador da fome. Após algum tempo, chega o pedido. Comecei a comê-lo. No momento soprava uma brisa suave, o suficiente para amenizar o calor do prato pedido. (Havia a opção de ficar num espaço interno na lanchonete, mas preferi o externo. O céu estava lindo.) 
Em meio às garfadas que saciavam a fome do corpo, aos pensamentos que divagavam através do olhar indefinido, fui suavemente surpreendido pela capacidade humana de ouvir o que as palavras não dizem. Duas amigas se aproximaram (ambas já haviam jantado noutra lanchonete e estavam degustando um apetitoso sorvete ) e as primeiras palavras que ouço soam a canção: viemos te fazer companhia. Sei que alguns leitores podem está neste momento dando asas ao deus da mitologia grega Eros, dentro de seus pensamentos, mas naquele instante, o que ficou evidente, foi a sensibilidade de dar asas ao que temos de mais rico entre as relações humanas: a amizade. 
A partir daquele instante não estava mais sozinho. O pedido já havia conquistado sua finalidade de mortificar por algumas horas a necessidade de alimentação e as companhias, mediante uma agradabilíssima conversa, haviam me transmitido mais uma lição naquele simples gesto fraternal: quando se tem amigos, nunca se está só.   

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.